
Uma névoa enovela a cortina de olhares: quem espreita para além de si, pondo à mostra a sua imagem?
A indiscrição é um olhar mudo no auge do pasmo, tecendo o indescritível. E, quando a retina óptica não basta, abastece-se a exibição com a máquina fotográfica.
Assim, o processo mecânico reproduzirá, fielmente, o instante exposto. Mas o flagrante, que trai a atenção humana, também atrai noutros motivos de observação.
Ansiedade, expectativa. Quem guarda o momento efémero, acaso aguarda o movimento que o defina?
Quem vigia, divaga? Ver, virá para o caso?
A curiosidade é um reflexo natural? Ou o predador visado enreda-se na própria teia de aparências e artifícios?
Aliás, reparando bem: a aranha antecipa o seu festim? Ou a vítima precipita a caça?
01MAR2007
1 comment:
boa fotografia gostei desta particularmente pois é o outro lado do fotografo enclausurado mas a fotografar.PAULO PIMENTA
Post a Comment